Dos carros esquecidos ao retorno às pistas

Restauração

O renascimento da Fórmula Millenium passa pela recuperação de seus protótipos FR001FM. Carro por carro, um trabalho coletivo devolve às pistas uma parte da história do automobilismo goiano.

Uma história que começou há mais de 25 anos

Criada entre 1999 e 2000 pelos irmãos Reis, a Fórmula Millenium nasceu para ser uma categoria acessível, formadora e capaz de aproximar novos pilotos das competições. Entre 2000 e 2006, viveu um período de grande atividade, com campeonatos goianos nas categorias A e B.

A vocação de categoria-escola marcou essa trajetória: iniciantes encontravam apoio e orientação, enquanto veteranos compartilhavam experiência dentro e fora das pistas.

Quando as pistas ficaram em silêncio

A partir de 2007, a modalidade deixou de integrar regularmente as competições. Mais de 30 veículos se espalharam por oficinas, lojas, depósitos e garagens. Muitos foram desmontados, destruídos ou ficaram anos expostos ao tempo, à terra e ao mato.

Alguns exemplares sobreviveram graças ao cuidado de seus proprietários. Flávio Cunha, Eurípedes Reis e José Maria Reis estão entre os nomes que preservaram parte importante dessa história.

O movimento de renascimento

Desde 2020, proprietários, pilotos, preparadores e apaixonados pela Fórmula Millenium se mobilizam para localizar, recuperar e devolver esses carros às pistas.

O relato dessa retomada registra mais de 15 unidades reativadas. A recuperação dos protótipos ajudou a abrir uma nova fase para a modalidade, com a homologação da Federação e a realização da Copa Goiás de Fórmula Millenium 2026.

Restaurar é reconstruir

Trazer um Fórmula Millenium de volta exige muito mais do que fazer o motor funcionar. Cada projeto envolve desmontagem, avaliação estrutural, revisão dos sistemas, recuperação ou substituição de componentes e adequação às definições técnicas da homologação da categoria.

É um trabalho artesanal, feito com paciência, conhecimento e dedicação. O ponto de partida muitas vezes é um carro incompleto ou deteriorado; o objetivo é recuperar sua integridade e prepará-lo para competir novamente.

Carros que voltaram à vida

Os exemplares recuperados voltam a proporcionar a novos pilotos a experiência de competir e ajudam a manter viva a vocação de escola da Fórmula Millenium.

Do antigo 49 aos números 13 e 77

O antigo carro 49 é um dos exemplos dessa transformação. Recuperado, aparece nos registros da nova fase com as identificações 13 e 77.

Carro 225

Pertencente ao Dr. Luiz Eduardo Costa, o carro 225 foi restaurado e posteriormente recebeu nova pintura e carenagem. Após a restauração, seus cuidados passaram a ser realizados por Klaus.

Outros projetos, novas histórias

Os carros identificados como 32/18 e 23/16 também fazem parte desse trabalho de restauração. Outro registro é o do antigo carro 117, identificado na retomada como 23: de volta às competições, venceu uma corrida com o piloto Jairinho Neto.

O ateliê por trás das restaurações

Parte desses carros foi recuperada em uma garagem transformada em ateliê de restauração e revisão. Nesse espaço, conhecimento técnico e dedicação dão forma a cada etapa do trabalho.

O relato que documenta essa iniciativa reúne seis Fórmula Millenium restaurados pela equipe e sete carros sob seus cuidados. Nos fins de semana de competição, o apoio se transfere para o autódromo, com uma estrutura montada para atender os veículos durante os eventos.

Mais do que restaurar carros

Cada Fórmula Millenium recuperado é um pedaço da história do automobilismo goiano que volta a existir em movimento. O renascimento reúne quem preservou carros, localizou exemplares esquecidos, recuperou estruturas e componentes e voltou a competir.

Alguns carros foram encontrados como sucata. Hoje, voltaram a ser carros de corrida.

Conheça a história da Fórmula Millenium